sábado, 18 de junho de 2011

Dias como navalhas, noites cheias de ratos

quando jovem eu dividia meu tempo igualmente entre bares e bibliotecas; como eu conseguia conciliar isso com as outras necessidades é onde está a charada; bem, eu simplesmente não me importava com isso---
se eu tivesse um livro ou uma bebida não me importava muito com outras coisas---os tolos criam o seu próprio paraíso.


nos bares, eu achava que era durão, eu quebrava coisas, lutava com outros homens, etc.


nas bibliotecas a questão era outra: eu ficava quieto, indo de estante a estante, não lia livros inteiros mais que parte deles: medicina, geologia, literatura e filosofia. psicologia, matemática, histórias, outras coisas deixavam-me desligado. com música eu estava mais interessado na música e na vida dos compositores do que nos aspectos técnicos ...


contudo, foi com os filósofos que eu senti uma irmandade:
Schopenhauer e Nietzsche; mesmo o velho difícil-de-ler Kant;
eu achei Santayana, que era muito popular na época,
mole e tedioso; Hegel você tem que realmente cavar especialmente
com um gancho; eu tinha lido vários que esqueci,
talvez propositalmente, mas me lembro de um companheiro que escreveu
um livro inteiro para provar que a lua não estava lá
e ele fez isso tão bem que depois você pensava, ele está
absolutamente certo, a lua não está lá.


que inferno era para um jovem que se matava de trabalhar por
oito horas diárias quando a lua não estava mesmo lá?
o que mais
estava sendo esquecido?


e
eu não gostava tanto de literatura quanto gostava dos críticos
literários; eles eram pírus de verdade, aqueles caras; eles usavam
um linguajar fino, bonito ao seu modo, para chamar outros


críticos, outros escritores, cuzões. eles
me deixavam de bom-humor.


mas foram os filósofos que satisfizeram
aquela necessidade
que imiscuíram em algum lugar dentro de meu esqueleto confuso: wading
through their excesses and their
clotted vocabulary
they still often
stunned
leaped out
with a flaming gambling statement that appeared to be
absolute truth or damned near
absolute truth,
and this certainty was what I was searching for in a daily
life that seemed more like a piece of
cardboard.


what great fellows those old dogs were, they got me past
days like razors and nights full of rats; and women
bargaining like auctioneers from hell.


my brothers, the philosophers, they spoke to me unlike
anybody on the streets or anywhere else; they
filled an immense void.
such good boys, ah, such good
boys!


yes, the libraries helped; in my other temple, the
bars, it was another matter, more simplistic, the
language and the way was
different ...


library days, bar nights.
the nights were alike,
there's some fellow sitting nearby, maybe not a
bad sort, but for me he doesn't shine right,
there's a gruesome deadness there---I think of my father,
of schoolteachers, of faces on coins and bills, of dreams
about murderers with dull eyes; well,


somehow this fellow and I get to exchanging glances,
a fury slowly begins to gather: we are enemies, cat and
dog, priest and atheist, fire and water; tension builds,
block piled upon block, waiting for the crash; our hands
fold and unfold, we drink, now, finally with a
purpose:


his face turns to me:
"sumpin' ya don't like, buddy?"


"yeah. you."


"wanna do sumpin' about it?"


"certainly."


we finish our drinks, rise, move to the back of the
bar, out into the alley; we
turn, face each other.


I say to him, "there's nothing but space between us. you
care to close that
space?"


he rushes toward me and somehow it's a part of the part of the
part.

(fui interrompido por um amigo que disse que logo se matará. a velha história. o romantismo. o engodo-de-si. este aí é days like razors, nights full of rats. bukowski. the last night of the earth poems.)

terça-feira, 17 de maio de 2011

a vasta leitura de bukowski, uma carta

há dias que declarei aqui que publicarei poesias traduzidas de bukowski. e esse motto me levou a isso: tentei a prova do Cespe para carteiro. efeito freudjungiano? hehehe (os psicanalistas, os psicanalistas!). e de outra fui ao Sine de Serra, ES. Lá fui indicado por uma assessora de um politicozinho de quinta que haveriam vagas para emprego. Lá cheguei, não enfretei fila. Um vizinho desembolado logo conhecia a diretora do órgão PÚBLICO. Faríamos a entrevista com os outros candidatos de uma escola técnica de Vitória. Eu pensava nas pessoas lá em baixo, que tinham acordado às cinco da manhã, pegado suas senhas e esperavam por um cadastro no afã de um emprego urgente (sem comida, sem teto, sem lazer, sem nada). e eu, o vizinho e os outros estudantes tinham acesso fácil ao emprego. he. O Sine não é público? Não deveria encaminhar, de imediato, ao emprego e logo à dignidade a pessoa que ali chegasse? De onde vem a vantagem dos alunos da Escola São Gonçalo (de Vitória, o município-Capital)? A minha (a do vizinho, a do genro da assessora e a da sua filha) veio de pequenos laços de concórdia mútua de sovinice e caudilhismo...

terça-feira, 10 de maio de 2011

aos jornalecos de quinta. e aos jornaleiros sabichões. e aos rábulas. e aos magistrados de sade. e aos procuradores de huxley.

Fabrício Coyote 10 de maio de 2011 às 10:10


quando os jornalistas avocam a si a responsabilidade de reagimentar a república, num sistema comunista, por exemplo, ou de capitalismo de primado estatal, o que acontece é isso: novela. paulo freire: os de direita querem o que está. os de esquerda, prometem mas não cumprem. cabe ao radical dividir a terra. pedagogia do oprimido.

http://www.conversaafiada.com.br/brasil/2011/05/10/braga-banqueiro-corrupto-vai-pagar-pelo-que-fez/

a indicação de ministros de tribunais superiores, bem como as outras indicações, tais como de desembargadores, procuradores do mp e das organizações políticas-administrativas da República não garantem isenção alguma. apenas perpetua esse caudilhismo vil…
revolución!

http://www.conversaafiada.com.br/brasil/2011/05/09/voto-sobre-dantas-no-stj-tres-juizes-dois-comportamentos/

terça-feira, 3 de maio de 2011

aos jornaleiros politiqueiros de merda

(eles querem o presidente Barack Hussein Obama morto, ao Osama)

a análise de política internacional, no país, é feita às margens de papéis higiênicos sujos de merda: feita por jornaleiros que, na impossibilidade de anteverem um fato (o tal furo) pelas circunstâncias políticas que o ensejam, atolam os incautos de informações inverídicas: a morte de Osama Bin Laden, muçulmano xiita, é achinc(h)alhada como se não houvesse acontecido. Como se o presidente negro dos E.U.A. Barack Obama não pudesse ser capaz de ordenar uma movimentação de guerra simples: um exército e inteligência de uma nação versus um único indivíduo.

domingo, 1 de maio de 2011

nietzsche e bukowski

dentre em pouco vou deitar, nessas páginas nada assépticas e sujas de marrom de merda (não a merda dos jornalecos que assolam as bancas de jornais, mas a merda que aduba) traduções livres de textos de nietzsche e bukowski. de nietzsche tomarei como base escritos seus em inglês, pois ainda não domino o alemão. quanto a buskowski, escolherei, também, poesias que pesquisarei e atestarei que não foram ainda traduzidas. o mesmo para aquele filósofo. esses dois seres me ajudaram a chegar até aqui sem que tivesse que genuflexar-me às "exigências" dessa sociadela brasileirística hipócrita e sem estética.

quinta-feira, 24 de março de 2011